domingo, abril 14, 2013

Fantasias de carvão



nas incertezas  que o poeta tem
percorre as quadras com seus dedos
foge de si, e procura por alguem
que consiga ver seus segredos

esconde nas entrelinhas da escrita
seus amores, suas dores, seus medos
e procura na solidão de um ermita  
o fio libertador de seus enredos

faz e refaz o seu olhar na esperança
de se encontrar entre as suas sombras
que o tempo guardou desde criança

descobre-se, entre loucuras escondidas
nas parede, onde desenhos de carvão
se movem ao som do coração






4 comentários:

Canto da Boca disse...

O melhor da sua poesia é que não esmagas as entrelinhas com palavras que não precisam ser ditas; tudo é tão milimetricamente bem traçado, entrançado, bordado em linhas da perfeição.
Naturalmente (e agora ciente), podemos ver uma influência "clariceana", não apenas na profundidade poética, mas como também os elementos ficionais. Quem lê Clarice Lispector, nunca mais é mesmo, sempre nos causa essa transformação, essa quase "reforma íntima".
Mais um poema irrepreensível, Carlos, tá lindo, lindíssimo!

;))

© Piedade Araújo Sol disse...

em forma de soneto o Poeta falou do Poeta e "falou" muito bem.
um soneto muito bem construído e muito belo.
boa semana.
Beijo

nylda disse...

Todos os poetas escondem nas entrelinhas da escrita
seus amores, suas dores, seus medos.
Lindo...
Um excelente fim de semana para ti.
Beijo e um sorriso.

Rosa Brava disse...

"...
esconde nas entrelinhas da escrita
seus amores, suas dores, seus medos
e procura na solidão ..."

A lembrar Fernando Pessoa:

"O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração."

Um abraço