quarta-feira, outubro 05, 2011

Talvez um dia





poderia um dia talvez
sair de mim sem ter,
estes pasmos de timidez
e sem espelhos me ver

entre ecos repetidos
me escutar, e sem porquês
seguir com os olhos feridos
as palavras que não lês

serão nuances de um interior
que o tempo demora a pintar
ou é a cor de um sonhador
que sem uso se vai secar

talvez esse distante dia
esteja ao dobrar a esquina
ali onde eu coloca a poesia
a beira daquela ravina

terça-feira, outubro 04, 2011

Imagem de mim



Sou uma imagem de mim
que procura um refugio
sigo essa luz sem fim
de uma vela sem pavio

vou a este mar procurar
o que na sua praia deixei
eu acabei por la ficar
quando do areal me levantei

deste meu corpo ando perto
sem conseguir nele entrar
se parece com um deserto
sem pontes para o atravessar

entre mim e quem eu sou
a distancia é um poema
e em cada quadra eu vou
encurtar esse dilema

este poema escrevi no mar
em noite de lua cheia
ele vai, mas ao regressar
venha na boca de uma sereia

sábado, junho 18, 2011

Portas fechadas



ter as portas fechadas
sem vontade de abrir
guardar sombras perdidas
sem querer nos podem ferir

deixar o raio de sol entrar
a luz é sinal de vida
deixar ele nos iluminar
no coração dar-lhe guarida

são portas sem fechadura
nem sequer a chave existe
é só uma dor que persiste

Deixar essa casa escura
seguir por novos caminhos
e derrubar todos os muros



terça-feira, abril 19, 2011

te descrevo




os meus dedos te contêm
descrevo-te, com palavras
que o meu olhar retém
musa destas minhas rimas

teu corpo, teus cabelos
são frases por inteiro
sem virgulas, sem pontos
alma de um só tinteiro

te descrevo numa linha
em forma de mil desejos
nesse rosto se adivinha
loucos e sensuais beijos

livro aberto sem ocultar
dentro de ti sentimentos
tudo fazes por encontrar
a vida em todos os momentos


sábado, março 26, 2011

Entre nós




entre o meu e o silencio do teu olhar
as palavras se diluem no eco perdido

de entre a vontade de tua mão tocar
e a saudade de rever teu cabelo caído

os dias passam por entre os sonhos
que me aquecem naquelas noites frias
em que adormeço ouvindo os lamentos
de um vento com tuas palavras vazias

poiso o olhar no horizonte distante
tento vislumbrar na sombra do poente
o eco das palavras que quero escutar

entre os espaços vazios do encontrar
existem sonhos que ficaram guardados
em olhares em abraços em beijos dados